segunda-feira, outubro 10, 2005

O voto da Função Pública


Depois das greves e protestos de polícias, ladrões, tropas, professores, médicos, enfermeiros, juizes e funcionários dos tribunais (estes preferem greve 5ª e 6ª calhando o feriado à 4ª anterior e retomando o protesto 2ª e 3ª seguintes) e muitos outros, aqui está o voto, arma maior da democracia, a castigar José Sócrates e o seu governo. Os cerca de 750 mil funcionários e suas famílias mostraram ontem um cartão amarelo às políticas reformistas que toda a gente reclamou e reclama, mas que só se devem aplicar aos outros, nunca a nós próprios.
Tanto foi o medo de que o voto de ontem tivesse consequências mais profundas em termos nacionais que todos, políticos e analistas, não conseguiam deixar de referir o contrário do evidente. O que esteve em causa na maior parte das localidades não foi eleger os mais capazes e honestos, mas os que mais castigassem o governo.
Se o exemplo de Lisboa não serve para ilustrar este facto, Carrilho e os responsáveis locais fizeram a pior campanha de que há memória, o mesmo não se aplica a Sintra, Porto e Leiria.
No Porto a única vantagem da vitória de Rio é a maturidade democrática dos eleitores que separaram o futebol da política. Pois que em relação a Sintra precisamente essa promíscua relação que o seu Presidente mantém com o Benfica, lhe terá sido benéfica. E o mesmo se pode dizer em relação a Leiria. De resto nenhum destes autarcas fez obra. Nem Rio, nem Seara, nem Damasceno e aqui podemos incluir Carmona, têm uma ideia para os seus concelhos. Não têm simplesmente projecto. Não fizeram obra e tudo leva a crer que não farão, no sentido reformador, consequente e decisivo na vida das cidades.


É difícil perceber o povo português. Entendam-me: os sinais estavam à vista, mas eu tinha uma secreta (ingénua?) esperança que as eleições de ontem fossem de uma certa forma uma manifestação de apoio ao PS e ao seu governo.
Isto porque ainda não há 8 meses o país se encontrava numa profundíssima crise e os mesmos que agora votaram assim, votaram na altura assado.
Muito bem. Que dizer da OTA e do TGV? São projectos repetidamente apresentados por sucessivos e diferentes governos, fundamentais e de cuja execução dependem muitos factores da nossa ruinosa sociedade. Se os economistas se dividem sobre se o investimento público gera desenvolvimento, ninguém no seu perfeito juízo nega que impulsionará a Economia, dando-lhe o click necessário, para que outras reformas possam efectivamente consolidar o crescimento.
Como dizia. Há 8 meses atrás alguém duvidava (para não dizer, alguém não pedia) que o investimento público voltasse a ser uma prioridade do governo, depois da vergonha Ferreira Leite e Bagão Félix? Hoje um outro raciocínio gere a cabecinha dos funcionários públicos. Eles tiram-nos direitos para fazerem projectos megalómanos e ganhar votos, recusando-se a entender a necessidade estruturante, o impulso à criação de emprego, a possibilidade de integrar as redes de transportes europeias de forma sustentada e etc., etc.
Por outras palavras aquilo que era exigido (e esperado) ao governo há uns meses atrás foi ontem negado e violentamente contestado. É assim o vergonhoso voto da função pública.

Há alguns aspectos que devemos considerar sobre este grupo e sobre a sua influência na sociedade portuguesa:
1º- No primeiro governo de Cavaco Silva, o ministro das finanças foi um senhor do PSD que dá pelo nome de Miguel Cadilhe. Mal ou bem, digo-o porque o encaixe dos primeiros quadros comunitários de apoio conseguidos pela governação anterior de Mário Soares lhe foram benéficos, conseguiu pacificar a sensível área das finanças, sendo ainda hoje reconhecido como um bom ministro das finanças. No segundo mandato não esteve presente e o resultado, especialmente para Cavaco, foi o que se viu.
Na forma, Miguel Cadilhe demitiu-se por causa de uma notícia de O Independente, que abordava eventuais irregularidades referentes ao imposto mais estúpido do Mundo, o SISA.
No conteúdo, explicou-o Cadilhe recentemente, as políticas que Cavaco se preparava para introduzir de modo a alcançar a pacificação em sede de concertação social, viriam agora a valer-lhe o título de "Pai do Monstro". Cadilhe considera a leviandade estratégica de Cavaco, para segurar a Função Pública, como a causa primeira da grave situação em que se encontra o país nos dias de hoje.
Daí que se as eleições fossem hoje não admiraria uma mais que provável vitória de Cavaco: a Função Pública, apesar do ódio final (mais por via da arrogância e do abuso do aparelho de Estado) tem uma inconsciente dívida de gratidão para com o Pai.
2º- No curto ciclo anterior, um argumento político virou a opinião pública. Por mais que se tentasse avisar racionalmente do contrário, os portugueses consideraram o deficit das contas públicas a causa e o efeito do que deveria ser a governação. Assim foram instruídos por Moniz, o Big Brother e Marcelo, depois Durão, Santana e o resto já se sabe.
Claro que tudo não passou de um instrumento da EU, que hoje podemos considerar, evidentemente virtual. A revisão do Pacto de Crescimento e Estabilidade (PEC) foi uma obrigação e um exemplo daquilo que pode ser a genuína orientação estratégica da Europa, onde as políticas por vezes têm de nascer de baixo para cima, por ao contrário estarem em certo sentido desfasadas, ou se quiserem por via do autismo institucional inerente ao mass government, em múltiplos países sem efectivação possível.
Aquilo que ficará para o futuro e em relação directa com o problema português da Função Pública é que daqui a algum tempo, nem mesmo o largo número de profissionais do aparelho de estado poderá sustentar a inevitabilidade da opinião pública achar que também como em relação ao deficit, o governo tem razão.
Mais que não fosse porque os outros, nós, os que não recebemos a horas, que não temos subsídios e reformas garantidas, os cuja fábrica pode fechar no fim do mês sem aviso prévio, os que temos de fazer corresponder as nossas reais capacidades, ao exercício das nossas profissões, somos diariamente confrontados com a pessoa que do outro lado, ao invés de nos ajudar a resolver, nos relembra na sua atitude, na falta de brio e muitas vezes na forma impensável como nos trata (e não trata do problema) que não. Não tem razão.
É claro que as excepções confirmam a regra. A regra sobre a recepção que temos nos hospitais, na esquadra, na escola (ou Universidade), no tribunal, na Junta de Freguesia, na repartição de Finanças e no até no sítio criado para resolver (até aí a governação Durão/Santana conseguiu estragar), a Loja do Cidadão, em todo o lado, somos tratados como merecemos, até porque os Senhores Funcionários Públicos, não que não sejam competentes, simplesmente precisam sempre de melhores condições, pessoais e profissionais.
Esta percepção vai estar cada vez mais presente. Vai ter de ser assumida sempre que os senhores desfilarem porque têm de trabalhar até aos 65 anos, como o resto dos cidadãos, ainda que estes tenham menos importância.
3º- Para os políticos este assunto é melindroso. Ninguém pode assumir, com o risco de perder muitos votos, nem sequer a reformulação do sistema público (como actualmente se verifica com o governo) muito menos a possibilidade de confrontar (note-se bem: apontar o dedo) à incapacidade generalizada dos serviços públicos. O que até é compreensível, sob o risco de criar uma ainda maior perca de estima e simpatia entre os participantes activos (os funcionários) e os passivos (os cidadãos que a eles recorrem). A opção estratégica da anterior governação foi a de diluir a problemática da Função Pública no todo da Classe Média. As medidas visaram esta classe, diminuindo o impacte naquela. Os resultados os que se viram.
Por isso se esperava mais dos comentadores. Mais cedo que tarde, como gosta de dizer Jerónimo de Sousa, também este grupo-dos-sempre-os-mesmos-que-já-ninguém-pode-ver, terá a justa gratificação do povo português. Serão tão conceituados e apreciados que para evitar a perca de audiências as televisões, rádios e jornais os esquecerão com a mesma velocidade com que nos espetam com a sua violenta assídua presença.
Esperava-se que contribuíssem construtivamente para a inevitabilidade e para a urgente necessidade de corrigir ausências ao serviço, gazetas aos horários, faltas de educação, má produtividade e afins, acrescentando a perca de regalias injustas e disparatadas (lá está o problema do paizinho salazarento) como reformas antecipadas, ou mesmo mais cedo que os outros, regimes de excepção para a maioria, etc., etc., etc.
4º- O crash da Administração Pública é de tal forma insustentável que cria desigualdades dentro de si própria: quantos funcionários estão em regimes de trabalho temporário, sem garantias, trabalhando mais (porque os outros já adquiriram estatuto e manha) e ganhando menos, tendo esses sim regimes de excepção discriminatória e sendo não raras vezes os mais responsáveis?
5º- Nada do que anteriormente disse desculpa as nomeações de Vara e Gomes. Nesses casos acho que o governo, ou se quiserem o PS, não esteve bem. É claro que nada se compara com o regabofe de nomes, mas acima de tudo de incompetentes nomeados na anterior gestão: nas Águas, Correios, Comboios, EP's, etc. Em todo o lado se assistiu a um assalto ao aparelho de estado jamais verificado desde o 25 de Abril (desconfio até que essa foi a causa principal da derrota profunda de Durão, porque embora pouca repercussão, em relação ao volume, tenha tido nos órgãos de comunicação, toda a gente sentiu na pele a problemática, conhecendo directa ou indirectamente casos aflitivos). Mas em primeiro lugar o PS (ao abrigo de ser efectivamente um partido de poder, com tendência tácita para respeitar o Bloco Central- convém dizer que justamente a governação Durão/Santana cortou esse natural entendimento) nunca quis explicar bem isso aos portugueses. Em segundo lugar agora esperava-se algo diferente. Até como exemplo a dar aos que dramatizam as justas medidas aplicadas.

Sim. Podemos concluir que considero neste momento os funcionários públicos parte do problema e não da solução.
Aliás nem imagino como se vai dar a volta a isto.

Umas palavras ainda sobre os reflexos futuros das eleições autárquicas de ontem. Senti que José Sócrates foi injustamente penalizado. Não contente com a experiência António Guterres, cujo ciclo reconheça-se foi interrompido pelos portugueses, ontem toca a dar mais uma pedrada no único caminho que a todos nos resta.
Depois o aspecto autarcas/arguidos: a próxima pessoa que me vier com descontentamentos estéreis e muito comuns de ouvir, que os políticos são isto, os políticos são aqueloutro, levará de mim uma única sugestão. Vá para a badamerda (desculpem o bada, mas senti necessidade de reforçar)!
Quem tem a decisão, a referida arma da democracia? Quem lhes deu cobertura como ninguém? Se querem saber até acho a classe política melhor que a jornalística e seguramente na generalidade melhor que o povo que serve. Só os ditadores estão contentes com o sistema. Os democratas procuram sempre melhorá-lo. E eu não estou contente com certas coisas, mas isso já são assuntos para as próximas eleições de Janeiro. Não posso aqui deixar de saudar o povo de Amarante, que seguramente ontem ganhou o respeito de um país inteiro, menos 4 concelhos (sim, incluí Leiria).

Agora a esquerda terá de pensar bem. Jerónimo, ao aparecer contente, eufórico mesmo, esqueceu-se de algo elementar. A esquerda perdeu em Lisboa, Porto e Sintra, onde poderia ter ganho se coligada. Em Sintra e Porto com a agravante da governação dos últimos quatro anos ter sido viabilizada pelo PCP. Ou seja Honório Novo e Rui Sá foram os acólitos de uma coligação sinistra com a direita. Será que Jerónimo vai querer suportar Cavaco como suporta Fernando Seara e Rui Rio? E Louçã vai apoiar Cavaco como apoiou Santana e agora Carmona, ao ter inviabilizado uma frente de esquerda em Lisboa? Esses senhores querem afirmar a esquerda pela divisão, ou deveriam querer afirmar pela união? Eu acho que tentarão sempre a divisão. Mas, apesar dos apesares (e desculpem-me os senhores da TVI) eu acho que aí o povo português terá outro tipo de reflexão. Espero.

7 Comments:

At 6:11 da tarde, Anonymous Anónimo said...

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At 6:32 da tarde, Anonymous Anónimo said...

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At 1:32 da tarde, Anonymous Anónimo said...

É um defeito terrível este de olhar apenas pelo retrovisor que nos dá uma vista desimpedida, ou seja, ler os resultados de uma forma tendenciosa e claramente maniqueísta (nós os bons; Soares, Guterres, Sócrates, Assis, Soares Jr., etc, e eles os maus; Santana, Durão, Cavaco, Jerónimo, Louçã, salvo excepções descartáveis).
Um discurso sustentado nestas bases é claramente básico e uma tentativa de insulto à inteligência de quem o leu.
Alguns pontos de possível contra-argumentação:
1 - Função Pública - se é certo que o governo "aparenta" querer seguir o bom caminho, este percurso apenas parece ter sido traçado para os trabalhadores e não para os administradores (é certo que os politicos do bloco central que nos têm governado, têm delapidado a sua imagem, muito pela forma como tão fácilmente geram "gestores"). Deverá ser observado que uma rápida redução do nº de jobs (não interessa quem criou mais, interessa é acabar com eles) dará mais margem de manobra a qualquer governo para enfrentar as medidas duras que tiver a executar.
2 - Investimento do estado - é natural que depois de asseguradas as contenções obrigatórias, será necessário dispender nos sitios certos (sugiro, educação, saúde e cultura), com menos gasto naquilo a que chamamos "betão" e mais naquilo a que chamamos recursos humanos e tecnológicos.
3 - A esquerda desunida - acusar o BE e o PCP dessa fractura, é arrogante e básico. Porque será que que o PS, não tentou nunca uma solução abrangente e adequada, que permitisse ouvir os seus parceiros de esquerda, em vez de partir com a ideia de que sendo os mais votados os outros terão que se curvar perante eles e dar-lhes o seu voto (em Oliveira do Bairro a coligação PSD/PP, candidatou a Presidente de Câmara um Democrata Cristão e quase conseguia elege-lo), será que alguém no PS teria a humildade suficiente para uma candidatura conjunta no Porto com o PCP, apresentando Rui Sá como candidato a presidente? será? (pois é mais fácil falar de que os outros são os maus que não nos dão os seus votos).
Para uma leitura mais abrangente.

 
At 6:43 da tarde, Blogger HB said...

Agradeço o brilhante comentário.

Apesar de "insulto à inteligência", "básico" e "arrogante", vejo que o meu texto suscitou o mais exaustivo comentário que alguma vez recebi!
O mérito é anónimo, pena, mas não deixa de ser de quem o fez...

No conteúdo as posições apresentadas são na essência semelhantes às que defendi. "Seguir o bom caminho na função pública" e "investimento público" (apesar da sugestão em recursos humanos, como se os que trabalham nas obras não o fossem e apesar de eu ter defendido um click e não uma aposta estruturante, essa sim concordo: recursos tecnológicos. Todas são em HUMANOS e não umas em "betão" e outras em "computadores").

Sobre as regras democráticas: é óbvio que sou socialista, laico e republicano ou seja, embora não seja militante inscrito" considero-me um "militante independente" e portanto revejo-me, normalmente nas gentes e ideias do PS (e digo normalmente porque como sabem e como está no texto nem sempre). E tenho muito orgulho nisso.
Mas isso não me faz ter o Rei na barriga e achar que os que vêem de maneira diferente (por exemplo os que acham que Rui Sá que obteve 8,96% poderia encabeçar uma coligação com o PS que teve 36,14%. Por essa oredem de ideias até o candidato do PCTM/MRPP podia ter sido o cabeça de lista- 0,56%: o princípio da saúde democrática é o respeito pela maioria, mesmo que não se concorde) sejam maniqueístas.
Pelo contrário. Adoro ideias diferentes, anónimas, discutíveis, democráticas e livres! Se alguém pensar de maneira diferente não, não tem "um defeito terrível".

Até sobre a questão de administradores o presente comentário defende o mesmo que o "post" original.

Portanto meu caro leitor: apresenta as mesmas ideias que sugiro e só se queixa com o facto de eu me identificar com os dirigentes do PS. Está a ver? Isso não é muito democrático, pois não? Vá lá. Da próxima vez pense bem no que chama aos outros, antes de regurgitar posições que, no essencial, são iguais!

 
At 10:54 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Bravo Humberto! Quem fala assim não é gago.
Tens toda a razão. Só quero salientar um pormenor que te esqueceste "Os abstencionistas"
Não me detive muito a ouvir os resultados, pois farta de "fazedores de opinião" já eu estava durante estes últimos meses para ainda ter que os ouvir depois das eleições. Assim resolvi desligar o televisor e ler um clássico do Júlio Dinis, "Os fidalgos da casa Mourisca". No entanto, por alguns apontamentos creio que a abstenção foi muito elevada. em Lisboa pareceu-me ouvir falar em 47% e no Porto 41,5.
É pena porque assim não sabemos exactamente qual a opinião do Povo português sobre quem nos governa. Depois, também somos levados a pensar porque razão as pessoas se abstêm. Penso que a razão principal é este fatalismo de "velhos do Restelo". Adoramos dizer mal, mas quando somos chamados a actuar, retiramo-nos discretamente, e assim não nos sentimos culpados se as coisas correrem mal,e até podemos dizer "não foi por minha culpa, eu até nem votei neles" A isto chama-se comodismo? Para mim é um comodismo que roça a cobardia. No início do ano quando a "coisa" estava preta, lá foi tudo votar, pondo em cima do "HOMEM" a grande responsabilidade de governar este País desgovernado. Depois a seguir vêm os média "fazer sangue" para conquistar audiências dizer mal e arranjar casos todos os dias e assim fica na moda dizer mal do governo. Por fim a carneirada (entende-se por carneirada todos aqueles que não são capazes de pensar pela sua própria cabeça) resolve não ir votar tirando o tapete debaixo dos pés do "HOMEM" para ver se ele cai por si próprio, para também não terem a responsabilidade de o fazer cair. Assim nunca se comprometem

 
At 6:30 da tarde, Blogger HB said...

Muito bem observado.
Efectivamente pensei neles enquanto escrevia mas optei por não os mencionar para não retirar o enfoque. Concordo que os que se abstiveram participaram do protesto. É o mesmo que dizer que discordo deles.
Obrigado pelo comentário... Porque nestas alturas pensamos que estamos sozinhos e afinal... somos muitos!
Abraço.

 
At 5:24 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Que os funcionários públicos te perdoem Humberto! Pois não sabes o que dizes!!!

 

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