terça-feira, novembro 04, 2008

O outro 4 de Novembro. O de 2004 (Precisamente quatro anos!)


Não restam dúvidas: Barack Hussein Obama (Honolulu, 4 de Agosto de 1961) será o próximo presidente dos Estados Unidos da América.
Nem um mega atentado em solo americano, ou uma declaração de apoio por Osama Bin Laden (estratégia utilizada em 2004) podem, nesta altura, inverter a vitória de Obama. Mais: obterá um resultado estrondoso, tanto no voto popular, como no número de grandes eleitores: serão mais de 300 (sendo necessários 270), podendo ganhar estados tradicionalmente “Republicanos” como o Nevada, Virgínia, Florida, Colorado e até, imagine-se, o North Dakota. Para além dos “Swing states” (Estados que, ao longo da história, mudam consoante o contexto e os candidatos e que são verdadeiros indicadores do “estado de espírito do eleitorado) como a Pensylvania, Michigan e New Hampshire. Poderá eventualmente não conquistar o Ohio.

Como tudo começou
A paixão por Barack Obama aconteceu, tal como, provavelmente, à generalidade dos americanos e dos cidadãos do mundo, por mero acaso. De uma coisa não me escapo, com algum orgulho, confesso: terei sido o primeiro português a apontar Barack Obama como próximo presidente, num premonitório post no meu blog, a 4 de Novembro de 2004.
Dois dias após a derrota de John Kerry, procurei na Internet, quem seria o melhor candidato democrata em 2008. Uma típica fuga para a frente. Perante o desalento de mais uma vitória dos falcões, eu tinha que encontrar um sinal, alguém que me inspirasse a pensar que em 2008 tudo seria diferente.
Não existia youtube (registado a 15 de Fevereiro de 2005 e lançado experimentalmente em Maio do mesmo ano) pelo que, à data, não tinha assistido ao Keynote speech de Obama na Convenção Democrata de Boston (Julho de 2004). Aliás, depois de vários textos e discussões com amigos, foi estrondoso assistir à sua intervenção verdadeiramente inspiradora. Ecoaram-me as suas palavras nos discursos das primárias: “What began as a whisper has now swelled to a chorus that cannot be ignored, that will not be deterred, that will ring out across this land”.
Porque provavelmente a impessoal e pouco científica virtual pesquisa, assim implica, verdadeiramente o que me impressionava, era afinal de contas, aquilo que veio a contagiar os americanos e o mundo: o seu percurso académico (Universidade da Columbia e Harvard), a sua ascensão do voluntariado comunitário ao senado do Illinois, a derrota para governador, a gigantesca vitória de 2003 para o senado Nacional (70%), a sua oposição à guerra, o combate ao lobbie, as medidas contra as alterações climáticas… E uma foto. Uma simples foto onde discursa algures em Chicago, já Senador nacional, para um grupo de crianças num ginásio de uma escola.
Este homem, como diria Mário Soares, no “Espírito do tempo”, conseguiu, inicialmente via Internet e depois via todo e mais algum meio, do telemóvel, ao cartaz iconográfico e do laptop ao postal, transformar o invejoso sussurro, que só alguns de nós partilhámos, num coro sem precedentes na história da América.
A 4 de Novembro de 2004, também eu pronunciava, de forma básica, aquilo que nos espera amanhã: “Future Hope”, era o título, com a foto (a tal) e uma simples legenda. “Barack Obama, Senator of Illinois”.
Outras figuras eram recorrentes, na minha, então preliminar, busca pela pessoa certa: Hilary, Al Gore, Howard Dean, John Edwards. Mas eu escolhi a 4 de Novembro. E recordo, com sorriso, as maiores discussões que tive desde então contra o mundo: contra as possibilidades, contra o preconceito em relação à capacidade de escolha do povo americano, contra aquela que é a mulher política mais conhecida do mundo, contra o seu estatuto afro-americano, contra o seu nome, contra um veterano prisioneiro no Vietname, enfim e de novo. Contra todas as possibilidades!
Foi contra essas possibilidades que estive no Invesco Field, em Denver, no maior comício de aceitação de sempre, onde a 28 de Agosto, juntamente com mais de 80 000 pessoas, Obama aceitou ser o candidato do partido. E dessa magnífica experiência, que jamais esquecerei, uma palavra para a esperança do povo americano. A sua alegria nesse dia marca a esperança que nos contagia.
Na verdade, para mim, a minha “jornada improvável” chegara também ao fim. Foi quando verifiquei que também em política, às vezes, os sonhos se podem tornar realidade.

A sua avó, Madeline Dunham, desempenhou um papel importante nesta verdadeira fairy tale. Padeceu na véspera do dia em que o menino de sorriso afável que criou se torna no homem mais importante do mundo.
Finalmente impressiona-me muito a permanente, repetida, abordagem de muitos portugueses, na rua, na família, amigos, que me dizem: “vamos lá ver se não o matam”. No consciente esta é uma afirmação que revela preocupações étnicas. Lá por trás está uma verdadeira comparação a John Kennedy. Obama é, como dizem os republicanos, um homem único numa geração.

2 Comments:

At 11:18 da manhã, Blogger bloom said...

http://unsmeridianos.blogspot.com/2004/11/mas-o-futuro.html

http://unsparalelos.blogspot.com/2008/06/obama-can.html

"e eu, e eu?", perguntava o chato...

 
At 11:16 da tarde, Blogger Rui Pedro Nascimento said...

Obama foi eleito para o Senado Nacional a 2 de Novembro de 2004, no mesmo dia em que George W. Bush venceu a eleição para o seu segundo mandato (http://en.wikipedia.org/wiki/Barack_obama#2004_U.S._Senate_campaign)

 

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